Após 11 horas de julgamento, os jurados decidiram inocentar os três primeiros réus acusados de ter participado da chacina da praça, ocorrida há 23 anos, em Juara, a 690 quilômetros de Cuiabá. O julgamento do caso foi transferido para Sinop porque na época, o caso provocou grande comoção popular.
Consta nos autos, que o taxista João Batista Câmara, que era suplente de vereador na época, foi morto a facadas, após ser vítima de um latrocínio [roubo seguido de morte]. Três pessoas foram presas como suspeitas. Um grupo de 59 pessoas se revoltou com o crime, invadiu o presídio de Porto dos Gaúchos, rendeu o agente prisional e levou os três suspeitos do latrocínio até a praça de Juara. No local, eles foram presos de cabeça para baixo, torturados e mortos. As cinquenta e nove pessoas foram indiciadas na época.
Durante a manhã desta segunda-feira (19) prestaram depoimento os réus José Marcolino Alves, Aparecido Dias do Nascimento e Gilberto Batista Câmara, irmão do taxista morto.Já na parte da tarde aconteceu o debate entre acusação e defesa. Após assistir as partes, o júri votou de forma unânime pela inocência dos réus.
A decisão não surpreendeu o promotor de Justiça, Pompílio Azevedo. "Entederam que houve a participação, mas no quesito genérico da defesa acabaram absolvendo os acusados, o que é legítimo . O júri tinha elementos tanto para absolver como para condenar. O júri entendeu por bem absolvê-los", acentuou o promotor.
O promotor, no entanto, não descartou a possibilidade de entrar com recurso contra a decisão do júri. "Esse é um caso em que o Ministério Público ainda vai estudar. Eu tenho por linha respeitar a decisão dos jurados, salvo se ela seja muito contraditória, o que não é o caso dos autos. Entretanto, há um prazo ainda para recorrer e neste prazo o Ministério Público irá ou não recorrer", explicou.
A defesa dos réus acredita que a decisão dos acusados foi justa, disse o advogado de defesa dos réus, Jorge Balbino da Silva. "A decisão dos jurados é uma decisão soberana. Os jurados julgam em conformidade com a consciência e os fatos foram apresentados pelo ilustre promotor que sustentou a sua tese de acusação e também foi apresentado nosso trabalho pela defesa onde os acusados negam a autoria deste fato delituoso", informou o
advogado.
Já para o magistrado, João Manuel Guerra, o caso continua complexo pela quantidade de pessoas indiciadas e pela falta de estrutura da comarca de Juara. "O que acontece nesse processo é que eram 59 acusados. Os fatos aconteceram numa comarca pequena, que tinha dificuldades de juízes, nem sempre os juízes estavam ali. Tivemos dificuldades para encontrar os acusados na hora da citação, na hora de uma intimação. O volume de acusados foi o ponto nodal da demora. Mas agora já temos alguns réus pronunciados e na medida que vão chegando os processos nós vamos colocando em pauta de julgamento", finalizou.

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